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    « Voltar · 14/NOV/2018

    ASMA e Idoso - Aspectos Emocionais

     

     

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    Envelhecer traz como preditor de qualidade de vida a manutenção da integridade física e psicológica do idoso.

    Nesta fase do ciclo vital a subjetividade é permeada por diversas vivências de perda. Perda funcional causando dependência, perda dos papéis de provedor e cuidador na família gerando a inversão da parentalidade (filhos cuidando dos pais), perda dos entes queridos e do cônjuge trazendo a condição de viúvos, entre outras.

    O aspecto psicológico refere-se a percepção e a reflexão que o idoso faz sobre a própria vida. Se o balanço é positivo está fase continua sendo um período de realizações. Ao contrário, se este balanço for negativo, a impossibilidade de mudanças e de reviver o passado de forma diferente cria depressão e isolamento social.

    Neste contexto, uma doença crônica que coloque em risco o funcionamento físico, emocional ou mental é uma preocupação iminente, mesmo quando o idoso mantém uma boa saúde.

    A saúde debilitada impõe aceleração de perda funcional trazendo limitações e dependência da família, principalmente do cônjuge, colocando-o no papel de cuidador.

    Em muitos casos, quando as demandas de cuidado ultrapassam as capacidades do cônjuge, tanto no aspecto emocional, quanto aspecto no financeiro, os filhos passam assumir este cuidado. Tal condição pode gerar ansiedade e desgaste nas relações parentais devido a sobrecarga de funções, uma vez que os filhos também enfrentam desafios específicos relacionados às suas fases de vida.

    Sentimentos como medo de perda do controle, desamparo, tristeza, ansiedade e depressão podem aparecer nesta fase como reação de ajustamento pelas mudanças específicas desta fase de vida e podem ser agravados com a sobreposição de uma doença crônica.

    Do ponto de vista emocional, a asma impõe dificuldades e limitações à rotina, prejuízo da capacidade funcional, alteração da imagem corporal e têm influência direta na autoestima e na qualidade de vida do paciente.

    Nesta perspectiva, a asma, por si só, é intensa fonte de sofrimento e desperta diversas reações emocionais que vão desde tristeza, angústia, medo, autodepreciação, ansiedade, negativismo, alterações do humor, irritabilidade e até sintomas depressivos.

    A associação de uma doença crônica como a asma em uma fase tão específica da vida traz a necessidade de um cuidado integral ao paciente e à sua família envolvendo, obrigatoriamente, tratamento farmacológico para controle dos sintomas e da estabilização da função pulmonar, associado ao tratamento não medicamentoso, que consiste em medidas educativas, acompanhamento psicológico e medidas de controle dos fatores desencadeantes ou agravantes.

    O espaço de escuta, reflexão e apoio, oferecido na psicoterapia, permite ao paciente conhecer e compreender seus conflitos pessoais e familiares, tensões emocionais, sentimentos, bem como a forma e a intensidade como estes aspectos participam e impactam na sua vida e refletem na sua doença.

    Com maior clareza e controle das suas emoções, potencialidades e limitações o paciente idoso melhora também a percepção e a capacidade avaliativa do seu quadro utilizando, de forma adequada, as orientações médicas para controle e prevenção de agravamentos.

    Fabiane Matias
    CRP 06/68421
    Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta de Família
    Departamento de Psicologia – ABRA/SP

     

     

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